Shantala (Massagem para o Bebê)
“Ser levados, embalados, acariciados, pegos, massageados, constitui para os bebês, alimentos tão indispensáveis, senão mais, do que vitaminas, sais minerais e proteínas. Se for privada disso tudo e do cheiro, do calor e da voz que ela conhece bem, mesmo cheia de leite, a criança vai se deixar morrer de fome.”
Frédérick Leboyer
Shantala é um contato mais harmônico entre a mãe e seu bebê, uma tradição milenar, transmitida tradicionalmente de mãe para filha. Essa massagem foi introduzida no Ocidente pelo médico obstétra Frederick Leboyer, na década de 70. Em uma viagem à Índia, mais precisamente Calcutá, Leboyer se deparou com uma mulher sentada na calçada massageando seu filho, para ela o tempo parecia não existir, a presença do toque em seu filho mostrava a harmonia e ritmo que encantou o médico. Essa mulher se chamava Shantala. Foi ela que ensinou a técnica e se deixou fotografar. Logo após a sua volta ao Ocidente, Leboyer começou a ensinar e, em homenagem àquela mulher, deu o nome à massagem de Shantala.
O toque é um dos meios mais poderosos para a comunicação humana com enriquecimento do relacionamento entre pais e filhos. O contato entre a mãe e o filho tem importância vital para o relacionamento, porque possibilita o fortalecimento e o vínculo, contribuindo para o desenvolvimento físico e emocional do bebê. Quando o bebê é tocado, acariciado e massageado tem maiores possibilidades de crescer alegre, independente e afetivo.
A Massagem deve ser feita numa relação de profundo amor, união e concentração, visando à perfeita harmonia entre mãe e filho. Neste momento, os dois, unidos produzem uma interação perfeita, tornando-se fácil deixar que a energia flua e a troca se faça. Mãe e filho dando e recebendo. Olhando-se nos olhos, conversando num profundo silêncio.
O bebê sente, fala ouve, recebe e dá através de vibrações. O alimento do bebê, mais do que o leite materno, é a vibração, reconhecida como emoção: boa e má. Pela pele ele se alimenta mais do que pelo estômago, tanto física quanto emocionalmente. Sua pele é um radar captando permanentemente todo e qualquer estímulo. Esse toque, essa massagem, é mais importante do que as proteínas, vitaminas e sais minerais.
A Shantala destina-se a recém-nascidos a partir de 1 mês de idade aproximadamente, sendo que não há limites para começar e continuar. A partir de primeiro mês, o bebê já está com a pele mais preparada. Muitas vezes ela descama, troca a pele. Também o umbigo já está cicatrizado. Apesar de ser um toque carinhoso, a Shantala tem um toque profundo e forte, não é superficial, faz alongamentos e trabalha a musculatura e as articulações.
Portanto, pode-se fazer em crianças maiores também, fazendo-se adaptações da técnica. Trabalha especialmente a relação mãe/bebê (que também pode ser pai/bebê), relaxando a criança, eliminando tensões, bloqueios, aliviando cólicas, prisão de ventre, insônias, enfim equilibra todo o Sistema Nervoso, Energético e Emocional. Trás segurança e auto-estima, a criança se sente amada. Pode e deve ser usada como prevenção de neuroses e doenças e aumenta o Sistema Imunológico. Dirigido a todas as crianças com desenvolvimento no padrão normal, para aprimorar a relação com os pais. E também, pode ser aplicado adequadamente em bebês que tenham tido traumas de nascimento, com carência afetiva, com problemas neurológicos e até nos casos de diversos comprometimentos, sendo que nesses casos a aplicação da massagem deve ser individualizada, isto é, adequada a cada situação e complementar a outros recursos terapêuticos.
Contra-indicação
Só não se deve praticar a Shantala quando o bebê está muito doente ou nas crises. É preventiva, mas na hora da crise não dá para aplicar. É preciso que a criança esteja participando, concordando com a prática. Na crise de cólica ela chora muito, se contorce. Outra contra-indicação seria para doenças de pele que impeçam o toque.
O bebê não deve estar dormindo, com frio ou quando o bebê estiver com resfriado intenso ou febre, pois ela ativa a circulação podendo elevar sua temperatura. Ou ainda se ele estiver com diarréia, pois o efeito relaxante poderá intensificar o estado.
Ambiente
A Shantala deve ser feita num ambiente calmo, silencioso ou com uma música bem tranqüila (de preferência sempre a mesma), instrumental ou relaxante. Assim como é importante a ambientação, também a preparação do bebê e da mãe, ou de quem vai aplicar a massagem.
No verão pode ser realizada ao ar livre, precedida de um aquecimento ao sol, tanto o óleo quanto o bebê, no inverno em um ambiente pré-aquecido.
Orientações gerais
Esta massagem é recomendada após o bebê completar um mês e pode ser praticada até a idade pré-escolar.
Para não machucar o bebê, evite fazer a massagem com as unhas compridas, anéis e adornos.
O adulto que vai aplicar a massagem também deve se preparar já que a criança é muito receptiva e é necessário que o adulto esteja bem disposto, relaxado, procurando se abstrair de todos os problemas, ansiedades, para que não passe isso pelo seu contato com o bebê.
O bebê não deve estar de estômago cheio, nem vazio, evite-a quando o bebê estiver com fome ou imediatamente após ele alimentar-se.
Deve estar predisposto e participativo. É uma troca energética. De forma alguma deve ser imposta. É uma massagem prazerosa e ele vai descobrir isso e passar a gostar esperando a cada dia por ela.
A massagem pode ser feita ao sol (até 10 horas da manhã) ou em quarto aquecido, para o bebê não sentir frio. O bebê deve estar totalmente despido.
Respeite o ritmo do bebê, fazendo a massagem no horário mais adequado a sua rotina. É importante que seja diária, podendo ser feita até duas vezes ao dia, sempre diurna, sem quebrar o ritmo do bebê, muito pelo contrário, auxiliando-o no ajuste deste ritmo, proporcionando uma auto-regulação. A melhor hora é aquela em que o bebê está de acordo com estas pré-condições e não a hora imposta pelo adulto.
Para que a massagem seja muito mais prazerosa ela é feita com um óleo vegetal. Na Índia é tradição o óleo de côco no verão e de mostarda no inverno. Aqui adaptamos no inverno o óleo de amêndoas, que preserva mais o calor na pele. O importante é que o óleo seja vegetal e não mineral e esteja pré-aquecido (levemente). O óleo vai ser um ótimo condutor dos movimentos, evitando atritos na sensível pele do bebê. O óleo deve ser totalmente puro e natural, isto é, sem químicas ou perfumes. A criança vai absorvê-lo pelos poros e também possivelmente levará as mãos à boca.
Preparativos
Coloque uma roupa confortável e providencie um colchonete para sentar-se ereta, com as pernas estendidas se possível em contato com a natureza, nunca em cima de camas ou mesas, mas sobre suas próprias pernas, do contrário não se conseguiriam os benefícios buscados.
A Criança deve estar nua, e colocada sobre as pernas. O mesmo ritmo deve ser mantido do início ao fim, sem acelerações.
Aplique um óleo para o corpo (apropriado para bebê) nas mãos e friccione uma na outra para aquecê-las e depois aplique no bebê. Nunca coloque o óleo diretamente na pele do bebê.
Durante a massagem, olhe e converse ou cante para o bebê. Concentre-se apenas nele e na maravilhosa comunicação que este momento possibilitará a vocês.
Por si só, as mãos vão acentuando a pressão e a intensidade. O aconchego vai deixar a criança muito mais segura e feliz, além de relaxada, fazendo desaparecer no bebê progressivamente tudo o que exista de tensão muscular.
Técnica
1ª Fase
“Aplainar o peito”
Fig. 1. Facilita a ampliação da respiração. Coloque as duas mãos sobre o centro do peito do bebê.Do centro para fora, deslize as mãos, uma para cada lateral, como se estivesse alisando as páginas de um livro.
“Cruzar o peito”
Fig. 2. Traz equilíbrio e harmonia. Coloque sua mão direita sobre o lado esquerdo do quadril do bebê e vá deslizando até o ombro direito. Termine com um toque no ombro do bebê.
Faça do mesmo modo com a mão esquerda, para alcançar o ombro esquerdo. As duas mãos vão se alternando em cruz lentamente, mantendo o ritmo e a intensidade.
Braços
A massagem nos braços e mãos, assim como nas pernas e pés, fortalece os músculos e as articulações, ativa a circulação e estimula o sistema nervoso, preparando o bebê para engatinhar e andar.
“Deslizar do ombro ao pulso”
Fig. 3. Dá noção de contorno e limite do bracinho. Uma das mãos segura o ombro do bebê, como um bracelete, e a outra segura o pulso. Vá deslizando a mão do ombro para o pulso. Quando elas se encontram, trocam de posição: a mão que segurava o pulso passa a segurar o ombro, recomeçando o movimento. As mãos vão deslizando e se alternando sempre do ombro para o outro.
“Tornear o bracinho com movimentos de torção”
Fig. 4. Com as duas mãos juntas, segure o bracinho do bebê na altura do ombro. Comece a escorregar as duas mãos em direção ao pulso como se estivesse torneando o bracinho. As mãos devem se movimentar ao mesmo tempo, mas em direções opostas. Chegando ao pulso, reinicie o movimento pelos ombros. Antes do outro braço massageie a mãozinha.
Mãos
Fig. 5. Com seu dedo polegar, massageie do centro da palma da mãozinha, em direção a cada dedinho.
Fig. 6. Se o bebê ficar com as mãozinhas fechadas e oferecer resistência para abri-las, não force. Agora vire o bebê para massagear o outro bracinho e mãozinha.
Ventre/ Barriga
Estes dois movimentos facilitam o funcionamento dos intestinos e a eliminação dos gases, trazendo o alívio das cólicas, além de tonificar os músculos abdominais.
“Pressão em ondas com as mãos”
Fig. 7. Coloque uma das mãos na base do peito e deslize-a em direção ao ventre, tocando levemente os genitais. Faça o movimento de forma intensa, como se quisesse esvaziar o ventre. Quando uma mão termina o movimento, a outra recomeça, e assim sucessivamente.
“Pressão em ondas com o antebraço”
Fig. 8. Segure os pés do bebê com a mão esquerda, mantendo as perninhas esticadas. Com o antebraço direito vá deslizando do peito até o ventre. Quando terminar, retorne ao peito e recomece o movimento.
Pernas
“Deslizar da coxa aos tornozelos”
Fig. 9. Faça como fez com os bracinhos, deslizando da coxa em direção aos tornozelos, terminando nos pezinhos.
“Tornear a perninha com movimentos de torção”
Fig. 10. Deslize em movimentos de torção, sempre da coxa para os tornozelos. Antes da outra perna, massageie o pezinho.
Pés
“Massagem na planta dos pés”
Fig. 11. Massageie com suavidade, pois os pezinhos do bebê são muito sensíveis. Primeiro o seu polegar parte do calcanhar em direção a cada dedinho.
Fig. 12. Em seguida, passe a palma da sua mão na sola do pezinho do bebê. Agora massageie a outra perninha e pezinho.
Coloque o bebê de barriga para baixo em posição transversal em relação ao seu corpo.
2ª FASE
Costas
Alivia a tensão acumulada entre vértebras, causada pelo fato do bebê ficar muito tempo deitado. Além disso traz equilíbrio, eixo e harmonia.
“Duas mãos descendo e subindo”
Fig. 13. Coloque suas mãos juntas, paralelas, na nuca do bebê. Alterne as mãos para a frente e para trás, deslizando ao mesmo tempo da nuca em direção às nádegas e das nádegas em direção à nuca. As mãos vão e vêm, descendo e subindo, mantendo o ritmo, lentamente.
“Uma mão descendo até as nádegas”
Fig. 14. Sustente as nádegas do bebê com a mão direita. A mão esquerda parte da nuca e desliza em direção à mão direita, que permanece estática. Recomece o movimento pela nuca.
“Uma mão descendo até os calcanhares”
Fig. 15. Segure os pezinhos com a mão direita, mantendo as perninhas esticadas e ligeiramente elevadas. A mão esquerda parte da nuca, massageando as costas, continuando o movimento até os calcanhares. Recomece o movimento sempre pela nuca.
Vire novamente o bebê de barriga para cima
Rosto
Se tiver excesso de óleo, limpe as mãos. Estimula a musculatura, preparando o bebê para melhor expressar os sentimentos – raiva, prazer, riso ou choro.
“Contorno dos olhos”
Fronte
Fig. 16. Com a as pontas dos dedos, parta do centro da testa e deslize para os lados, ao longo das sobrancelhas. Reinicie sempre pelo centro e a cada movimento avance um pouco mais, até contornar ao redor dos olhos.
“Nos lados do nariz”
Fig. 17. Ajuda a desobstruir as narinas. Coloque os dois polegares entre os olhos, no alto do narizinho. Deslize pelas laterais até as narinas e suba novamente com mais intensidade. Repita o movimento várias vezes.
“No rosto todo”
Fig. 18. Com os polegares, feche os olhinhos do bebê e parta das sobrancelhas, passando suavemente pelos olhos, pela lateral da narinas, contornando a boca e acompanhando o maxilar inferior, em direção às orelhas.
Exercícios finais
No final da seqüência dos movimentos, complementando, temos exercícios, trabalhando a respiração, circulação sangüínea e as articulações, proporcionando perfeitos alongamentos que o bebê vai adorar. são mais dinâmicos.
Braços
Fig. 19. Libera a tensão das regiões cervical e dorsal. Libera também a caixa torácica e a respiração superior. Segure as mãozinhas do bebê e cruze os bracinhos. Sobre o peito, fechando e abrindo. Alterne a posição dos bracinhos e faça quantas vezes achar necessário.
Pernas e braços
Fig. 20. Libera as tensões das vértebras, em especial as lombares. Segure um pé do bebê e a mão do lado oposto, cruzando braço e perna, de forma que cotovelo se aproxime do joelho da perna oposta. Faça o mesmo movimento com a outra perna e braço.
Pernas
Fig. 21. Relaxa as articulações da pélvis e dos ligamentos com a base da coluna. Segure os dois pés e cruze as perninhas sobre o ventre, fechando e abrindo. Abra as perninhas, estenda-as e cruze novamente, invertendo a posição.
Os exercícios estão terminados. Agora é hora do banho para completar a massagem.
Nesse momento, o banho complementa a massagem, além da função higiênica. Por isso deixe o bebê relaxar um pouco na água, antes de iniciar sua higiene completa. A água morna é reconfortante e relaxante, pois envolve as regiões que as mãos não puderam tocar.
Para o bebê, o banho traz de volta as doces sensações de sua vida uterina e para você é mais um momento de contato e de prazer.
A criança que é massageada se sentirá amada e, portanto, vai ficar mais segura. Aliviará tensões localizadas, relaxará muito e conseqüentemente dormirá melhor, aliviará cólicas ou prevenirá para não tê-las. Terá um desenvolvimento psicomotor muito melhor, enfim, será uma criança calma, tranqüila, ao mesmo tempo ativa e inteligente. Principalmente as crianças com traumas de vida intra-uterina e nascimento e com carências diversas, são as que mais necessitem deste toque mágico.
O poder das mãos é incontestável, o tato, dissolvendo todas as tensões, o calor humano. Por isso é importante que a massagem seja feita com o bebê sobre o corpo de quem a faz, sobre as pernas para que ele se sinta protegido dentro do corpo da mãe. Teremos assim, futuros adultos mais equilibrados, mais harmonizados com o mundo e consigo mesmo.